{"id":1554,"date":"2023-03-08T21:22:21","date_gmt":"2023-03-09T00:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/cnor.org.br\/wp\/?p=1554"},"modified":"2023-03-08T22:16:35","modified_gmt":"2023-03-09T01:16:35","slug":"maria-quiteria-homenagem-ao-dia-internacional-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnor.org.br\/wp\/2023\/03\/08\/maria-quiteria-homenagem-ao-dia-internacional-da-mulher\/","title":{"rendered":"Maria Quit\u00e9ria &#8211; Homenagem ao Dia Internacional da Mulher"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">* por S\u00e9rgio Pinto MONTEIRO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, Dia Internacional da Mulher, presto a minha homenagem \u00e0 mulher brasileira. De todas as mulheres do mundo, voc\u00eas certamente s\u00e3o as mais bonitas, inteligentes, sens\u00edveis, amigas e companheiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br>E para marcar a data, nada melhor do que recordar uma hero\u00edna da nossa hist\u00f3ria, esquecida como todos os nossos verdadeiros her\u00f3is nacionais. Vejam que mulher maravilhosa!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">MARIA QUIT\u00c9RIA<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Quit\u00e9ria de Jesus Medeiros nasceu no ano de 1792 em S\u00e3o Jos\u00e9 de Itapororocas, atual Feira de Santana, na antiga Prov\u00edncia da Bahia, e ficou conhecida como a mulher-soldado por seus feitos de bravura na campanha da independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Filha de Gon\u00e7alo Alves de Almeida e Quit\u00e9ria Maria de Jesus, Maria Quit\u00e9ria levava a vida como todas as mulheres da \u00e9poca e estava noiva quando, em 1821 e 1822, a Bahia se rebelava contra o dom\u00ednio portugu\u00eas. Embora sem uma educa\u00e7\u00e3o formal, uma vez que \u00e0 \u00e9poca as escolas eram poucas e restritas aos grandes centros urbanos, Maria Quit\u00e9ria aprendera a montar, a ca\u00e7ar e a usar armas de fogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em janeiro de 1822 transferiram-se para Salvador as tropas portuguesas, sob o comando do Governador das Armas In\u00e1cio Lu\u00eds Madeira de Melo, registrando-se em fevereiro o mart\u00edrio de Soror Joana Ang\u00e9lica, no Convento da Lapa, naquela Capital.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 25 de junho, a C\u00e2mara Municipal da Vila de Cachoeira aclamou o pr\u00edncipe-regente D. Pedro como &#8220;Regente Perp\u00e9tuo&#8221; do Brasil. Por essa raz\u00e3o, em julho, uma canhoneira portuguesa, fundeada na barra do rio Paragua\u00e7u, alvejou Cachoeira, reduto dos baianos que clamavam pela Independ\u00eancia. A 6 de setembro, instalou-se na vila o Conselho Interino do Governo da Prov\u00edncia, que defendia o movimento pr\u00f3-independ\u00eancia da Bahia, enviando emiss\u00e1rios a toda a Prov\u00edncia em busca de ades\u00f5es, recursos e volunt\u00e1rios para forma\u00e7\u00e3o de um &#8220;Ex\u00e9rcito Libertador&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Envolvida no ideal de liberdade que movia seus conterr\u00e2neos e atendendo aos pedidos da Junta Conciliadora de Defesa que convocou os habitantes da regi\u00e3o para combater os portugueses, Maria Quit\u00e9ria tomou a decis\u00e3o de abandonar sua fam\u00edlia. Depois de fugir de casa, e tendo em vista que mulheres n\u00e3o eram aceitas em diversas atividades, inclusive nas juntas militares, teve a id\u00e9ia de se vestir de homem com um uniforme emprestado do cunhado. Assim, p\u00f4de juntar-se inicialmente ao Corpo de Artilharia e, posteriormente, ao de Ca\u00e7adores, com o nome de guerra de soldado Medeiros. Seguiu, ent\u00e3o, para onde o Major Jos\u00e9 Antonio da Silva Castro (av\u00f4 do poeta Castro Alves) organizava o Batalh\u00e3o dos Periquitos &#8211; assim pejorativamente chamado em raz\u00e3o da pouco usual cor verde do uniforme e em refer\u00eancia \u00e0 ave t\u00edpica do pa\u00eds. Em 29 de outubro de 1822, lutou pela defesa da Ilha de Mar\u00e9, e depois se dirigiu a Itapo\u00e3. Ainda em combate, Maria Quit\u00e9ria teve a sua verdadeira identidade revelada. No entanto, obteve tamb\u00e9m reconhecimento: o General Pedro Labatut, enviado por D. Pedro I para o comando geral da resist\u00eancia, conferiu-lhe as honras de 1\u00ba Cadete e o Conselho Interino forneceu-lhe dois saiotes no modelo escoc\u00eas, que foram sobrepostos ao seu uniforme, com capacete e penacho, para diferenci\u00e1-la dos demais militares, bem como uma espada e acess\u00f3rios. Finalmente, ela n\u00e3o mais precisava mais se fazer passar por homem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No fim do ano de 1822, Maria Quit\u00e9ria, foi admitida ao Batalh\u00e3o dos Volunt\u00e1rios de D. Pedro I, tornando-se, desse modo, oficialmente, a primeira mulher a assentar pra\u00e7a numa unidade militar, em terras brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Maria Quit\u00e9ria lutou tamb\u00e9m pela defesa da foz do Paragua\u00e7u: o seu entusiasmo contaminou outras mulheres. Centenas delas seguiram o seu exemplo e passaram a integrar a Companhia Feminina, criada pelo Ex\u00e9rcito e comandada por ela. Em Foz do Paragua\u00e7u, Maria Quit\u00e9ria e suas companheiras, com \u00e1gua at\u00e9 o peito, conseguiram o feito her\u00f3ico de, atacando uma nau portuguesa, impedir o desembarque de refor\u00e7os \u00e0s tropas inimigas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em fevereiro de 1823, participaria ainda com \u00edmpeto da luta, atacando uma trincheira inimiga e capturando prisioneiros que levou para o acampamento da tropa.<br>Depois de violentos combates, quando os conflitos se j\u00e1 se aproximavam do centro de Salvador, os colonizadores portugueses organizaram a fuga. Na madrugada do dia dois de julho, Madeira de Melo, comandante portugu\u00eas, embarcou 6 mil soldados, 4 mil marinheiros e 2 mil funcion\u00e1rios, em 84 navios e zarpou rumo a Portugal. No mesmo dia de 2 de julho de 1823, ao meio dia, as tropas brasileiras entraram em Salvador. \u00c0 sua frente, a hero\u00edna Maria Quit\u00e9ria. Estava selada a unidade nacional e o fim da opress\u00e3o portuguesa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua personalidade chamou a aten\u00e7\u00e3o da escritora inglesa Mary Graham : \u201dMaria de Jesus \u00e9 analfabeta, mas muito viva. Tem intelig\u00eancia clara e percep\u00e7\u00e3o aguda. Penso que se a educassem, ela se tornaria uma personalidade not\u00e1vel. Nada se observa de masculino nos seus modos. Antes, os possui gentis e am\u00e1veis\u201d ((Journal of a Voyage to Brazil).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em reconhecimento \u00e0 sua bravura, Maria Quit\u00e9ria foi recebida no dia 20 de agosto daquele ano pelo Imperador D Pedro I, que a condecorou, com o seguinte pronunciamento:<br>&#8220;Querendo conceder a D. Maria Quit\u00e9ria de Jesus o distintivo que assinala os Servi\u00e7os Militares que com denodo raro, entre as mais do seu sexo, prestara \u00e0 Causa da Independ\u00eancia deste Imp\u00e9rio, na porfiosa restaura\u00e7\u00e3o da Capital da Bahia, hei de permitir-lhe o uso da ins\u00edgnia de Cavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro.&#8221;<br>Al\u00e9m de receber a comenda, ela foi promovida a Alferes de Linha (hoje Tenente). Consolidada a independ\u00eancia do Brasil, Maria Quit\u00e9ria retomou sua vida particular e casou-se com Gabriel Pereira, com quem teve uma filha, Lu\u00edsa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Morreu aos 61 anos de idade, vi\u00fava e sem bens, praticamente esquecida pela hist\u00f3ria, como quase todos os verdadeiros her\u00f3is brasileiros Os seus restos mortais est\u00e3o sepultados na Igreja Matriz do Sant\u00edssimo Sacramento e Sant\u2019Ana, no bairro de Nazar\u00e9, em Salvador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano do centen\u00e1rio de sua morte &#8211; 21 de agosto de 1953 &#8211; o ent\u00e3o Ministro da Guerra determinou que em todos os estabelecimentos, reparti\u00e7\u00f5es e unidades do Ex\u00e9rcito fosse inaugurado o retrato da insigne patriota. J\u00e1 em 28 de junho de 1996, Maria Quit\u00e9ria de Jesus Medeiros, por decreto do Presidente da Rep\u00fablica, passou a ser reconhecida como o Patrono do Quadro Complementar de Oficiais do Ex\u00e9rcito Brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O famoso bairro de Ipanema, no Rio de Janeiro, tem uma rua que, anteriormente intitulada Ot\u00e1vio Silva, teve seu nome alterado para Maria Quit\u00e9ria em 1922, em mem\u00f3ria dos feitos da hero\u00edna da independ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>* o autor, 82 anos, \u00e9 historiador, oficial da Reserva do Ex\u00e9rcito, membro da Academia de Hist\u00f3ria Militar Terrestre do Brasil, da Academia Brasileira de Defesa e do Instituto Hist\u00f3rico de Petr\u00f3polis. \u00c9 patrono e fundador do Conselho Nacional de Oficiais da Reserva. \u00c9 presidente do Conselho Deliberativo da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Veteranos da FEB e presidente da Liga da Defesa Nacional-RJ.<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"634\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria-634x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1555\" srcset=\"https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria-634x1024.jpg 634w, https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria-186x300.jpg 186w, https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria-768x1240.jpg 768w, https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria-951x1536.jpg 951w, https:\/\/cnor.org.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/maria_quiteria.jpg 987w\" sizes=\"auto, (max-width: 634px) 100vw, 634px\" \/><\/figure>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria Quit\u00e9ria de Jesus Medeiros nasceu no ano de 1792 em S\u00e3o Jos\u00e9 de Itapororocas, atual Feira de Santana, na antiga Prov\u00edncia da Bahia, e ficou conhecida como a mulher-soldado por seus feitos de bravura na campanha da independ\u00eancia do Brasil. 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